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quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Tirando o óculos Cor de Rose*

Visão e Propósitos para 2019!!!




Início de ano, grandes planos e expectativas. Segundo os astrólogos de plantão, 2019 configura-se num ano de grandes mudanças e transformações, se somente se, nos desapegarmos do passado e nos abrirmos para o desconhecido com total entrega, confiança e fé no divino que somos nós e principalmente com a clareza e discernimento que essa noção nos dá. Isto é, se faz absolutamente necessário tirar o óculos cor de rosa e no seu lugar usarmos lentes "trifocais" para uma ampla visão da realidade.
Mas o que seria esse óculos cor de rosa que você tanto fala Rose? 
Para melhor exemplificar o que essas lentes da nossa cor preferida, ou com o foco ajustado para a nossa particular e original visão fazem por nós e por que é tão difícil jogá-las fora, trago pra vocês o Conto Sufi – Fátima, a Fiandeira
Numa cidade do mais longínqüo Ocidente vivia uma jovem chamada Fátima, filha de um próspero Fiandeiro. Um dia seu pai lhe disse:
— Filha, faremos uma viagem, pois tenho negócios a resolver nas ilhas do Mediterrâneo. Talvez você encontre por lá um jovem atraente, de boa posição, com quem possa e então se casar. Iniciaram assim sua viagem, indo de ilha em ilha; o pai cuidando de seus negócios, Fátima sonhando com o homem que poderia vir a ser seu marido.
Mas um dia, quando se dirigiam a Creta, armou-se uma tempestade e o barco naufragou. Fátima, semiconsciente, foi arrastada pelas ondas até uma praia perto de Alexandria. Seu pai estava morto, e ela ficou inteiramente desamparada. Podia recordar-se apenas vagamente de sua vida até aquele momento, pois a experiência do naufrágio e o fato de ter ficado exposta às inclemências do mar a tinham deixado completamente exausta e aturdida. Enquanto vagava pela praia, uma família de tecelões a encontrou. Embora fossem pobres, levaram-na para sua humilde casa e ensinaram-lhe seu ofício.
Desse modo Fátima iniciou nova vida e, em um ou dois anos, voltou a ser feliz, reconciliada com sua sorte. Porém um dia, quando estava na praia, um bando de mercadores de escravos desembarcou e levou-a, junto com outros cativos. Apesar dela se lamentar amargamente de seu destino, eles não demonstraram nenhuma compaixão: levaram-na para Istambul e venderam-na como escrava. Pela segunda vez o mundo da jovem ruíra.
Mas quis a sorte que no mercado houvesse poucos compradores na ocasião. Um deles era um homem que procurava escravos para trabalhar em sua serraria, onde fabricava mastros para embarcações. Ao perceber o ar desolado e o abatimento de Fátima, decidiu comprá-la, pensando que poderia proporcionar-lhe uma vida um pouco melhor do que teria nas mãos de outro comprador. Ele levou Fátima para casa com a intenção de fazer dela uma criada para sua esposa. Mas ao chegar em casa soube que tinha perdido todo o seu dinheiro quando um carregamento fora capturado por piratas. Não poderia enfrentar as despesas que lhe davam os empregados, e assim ele, Fátima e sua mulher arcaram sozinhos com a pesada tarefa de fabricar mastros. Fátima, grata ao seu patrão por tê-la resgatado, trabalhou tanto e tão bem que ele lhe deu a liberdade, e ela passou a ser sua ajudante de confiança. Assim ela chegou a ser relativamente feliz em sua terceira profissão.
Um dia ele lhe disse: — Fátima, quero que vá a Java, como minha representante, com um carregamento de mastros; procure vendê-los com lucro.
Ela então partiu. Mas quando o barco estava na altura da costa chinesa um tufão o fez naufragar. Mais uma vez Fátima se viu jogada como náufraga em uma praia de um pais desconhecido. De novo chorou amargamente, porque sentia que nada em sua vida acontecia como esperava. Sempre que tudo parecia andar bem alguma coisa acontecia e destruía suas esperanças.
— Por que será — perguntou pela terceira vez — que sempre que tento fazer alguma coisa não da certo? Por que devo passar por tantas desgraças?
Como não obteve respostas, levantou-se da areia e afastou-se da praia.
Acontece que na China ninguém tinha ouvido falar de Fátima ou de seus problemas. Mas existia a lenda de que um dia chegaria certa mulher estrangeira capaz de fazer uma tenda para o imperador. Como naquela época não existia ninguém na China que soubesse fazer tendas, todo mundo aguardava com ansiedade o cumprimento da profecia. Para ter certeza de que a estrangeira ao chegar não passaria despercebida, uma vez por ano os sucessivos imperadores da China costumavam mandar seus mensageiros a todas as cidades e aldeias do país pedindo que toda mulher estrangeira fosse levada à corte. Exatamente numa dessas ocasiões, esgotada, Fátima chegou a uma cidade costeira da China. Os habitantes do lugar falaram com ela através de um intérprete e explicaram-lhe que devia ir à presença do imperador.
— Senhora — disse o imperador quando Fátima foi levada até ele — sabe fabricar uma tenda?
— Acho que sim, Majestade — respondeu a jovem.
Pediu cordas, mas não tinham. Lembrando-se dos seus tempos de fiandeira, Fátima colheu linho e fez as cordas. Depois pediu um tecido resistente, mas os chineses não o tinham do tipo que ela precisava. Então, utilizando sua experiência com os tecelões de Alexandria, fabricou um tecido forte, próprio para tendas. Percebeu que precisava de estacas para a tenda, mas não existiam no país. Lembrando-se do que lhe ensinara o fabricante de mastros em Istambul, Fátima fabricou umas estacas firmes. Quando estas estavam prontas ela puxou de novo pela memória, procurando lembrar-se de todas as tendas que tinha visto em suas viagens. E uma tenda foi construída.
Quando a maravilha foi mostrada ao imperador da China ele se prontificou a satisfazer qualquer desejo que Fátima expressasse. Ela escolheu morar na China, onde se casou com um belo príncipe e, rodeada por seus filhos, viveu muito feliz até o fim de seus dias.
Através dessas aventuras Fátima compreendeu que, o que em cada ocasião lhe tinha parecido ser uma experiência desagradável, acabou sendo parte essencial de sua felicidade. E que assim como nem tudo é o que parece ser, Fátima percebeu que não precisava se apegar a uma "visão" de felicidade "cor de rosa" mas que ao entregar, confiar e aceitar o fluxo da vida ditado pela Suprema Luz Divina, só tinha o que agradecer.
Extraído de ‘Histórias dos Dervixes’, Idries Shah, Nova Fronteira 1976









terça-feira, 31 de julho de 2012

Meditação para Crianças

Muitas pessoas me perguntam se as crianças, principalmente as pequenas, conseguem meditar, já que para a maioria dos adultos esta é uma tarefa das mais difíceis. Digo que 90% das vezes, os pequeninos têm mais facilidade e até nos surpreendemos com a naturalidade com que eles conquistam o estado de relaxamento e recepção para a meditação.

Os adultos geralmente buscam a meditação como método rápido e eficaz para combater o stress, a ansiedade e até estados de pânico ou depressão. Para seus filhos buscam esta técnica como terapia complementar à hiperatividade ou falta de atenção e concentração.

A meditação em si funciona para tudo isso, já que tem como princípio básico o encontro com nossa essência última, o que gera naturalmente equilíbrio, paz e harmonia. No trato com as crianças a meditação tem um “plus”, que seria a relembrança das “virtudes” como: honestidade, sinceridade, compaixão, gratidão, ética, lealdade, honra, dignidade e amor.

É necessária uma breve introdução à meditação para despertar o interesse dos pequenos, na forma de uma pequena história, debate ou brincadeira motivadora. Nesta introdução se delineia o foco de atenção da meditação, sempre se respeitando a fase de desenvolvimento e discernimento da criança, assim como a duração do tempo de concentração para cada fase. Para crianças de 3 a 5 anos os períodos de meditação devem ser de 1 a 3 minutos, crianças de 6 a 8 anos, de 3 a 5 minutos e crianças de 9 a 12 anos de 5 a 15 minutos. Tudo isso sempre levando em consideração as exceções e casos particulares.

Vejamos um exemplo que pode ser usado com uma criança de 6 a 8 anos.
Introdução: Inicie um diálogo ou debate sobre as ligações/conexões que temos uns com os outros. O que nos afeta? O que nos incomoda? O que fazemos, dizemos, pensamos ou sentimos que interfere com o outro?

História: O Furo
Dois homens estavam em um lago, remando em um pequeno barco. Sem qualquer aviso, um deles começa a fazer um furo no fundo do barco. O outro homem grita: “O que você está fazendo?”. E o primeiro responde: “Por que você está tão preocupado? Estou furando só o meu lado do barco!”

Moral da Estória:
Estamos todos unidos. O que eu faço, sinto e penso interfere com o outro. O que o outro faz, sente e pensa, interfere na minha vida também. Somos todos responsáveis pela VIDA!!!!

Visualização/Meditação :
- Agora fique quieto, ouça a musica (escolha uma música instrumental suave com a duração máxima de 5 minutos), mantenha os olhos fechados olhando para o olho espiritual – o ponto entre as sobrancelhas. 
- Sinta a música percorrer o seu corpo todo, começando pelos pés, pernas, quadris, barriga, peito, ombros, braços, mãos, pescoço, cabeça. Sinta a musica fluindo com sua respiração energizando todo o seu corpo. 
- Agora sinta a sua energia pulsando em todo o seu corpo, o seu ritmo, as suas cores e perceba que a sua energia vai além do seu corpo e toca o ambiente em que você está, pessoas próximas e pessoas não tão próximas, mas que estão à distancia de um pensamento.
- Perceba a sua ligação com cada uma das pessoas que você toca energeticamente. Perceba se esta ligação está forte, fraca, frágil e se for necessário, do seu coração, injete uma rajada de energia amorosa para quem você sente que precisa.
- Inspire e expire profundamente e continue o exercício até o fim da música.  
- Volte à consciência do Aqui e Agora ao final, sentindo-se mais consciente das suas ligações e relacionamentos.


sexta-feira, 1 de junho de 2012

A Menina que Odiava Livros

Lendo, brincando e crescendo - Por Paula Furtado

A arte da contação começa na seleção das histórias. Existem aquelas específicas para determinados temas ou situações, ou seja, narrativas que permitem uma identificação imediata do leitor ou ouvinte com o enredo. 

Após a escolha, a forma como os pais e educadores contam a história é de grande importância para o sucesso do conto como processo terapêutico. Para tudo dar certo, valem as dicas:

- Não compare as crianças com os personagens ou dê sermões ao fim de cada história. A ideia é deixar o inconsciente agir e fazer as conexões necessárias sozinho. Quando o adulto pontua um aspecto e defende uma posição sobre o assunto em pauta, o trabalho simbólico fica bloqueado. Exemplo: a criança está mentindo muito e o pai conta a história “Pedro e o lobo”. A criança ouve tudo muito interessada, mas, quando termina a leitura, o adulto faz o seguinte comentário: “Viu o que acontece quando as crianças mentem?” Neste momento, todas as conexões que a criança estava realizando com o seu dia a dia terminam e ela percebe que aquela história foi só mais um sermão, só que mascarado.

- Procure, ao término de cada história, explorar com a criança as sensações que ela experimentou durante a leitura, por meio de perguntas como: O que você achou da história? / O que você mais gostou da história? /O que lhe incomodou na história? / De qual personagem você mais gostou? / Você conhece alguém que viveu uma situação parecida? / Você já se sentiu como esse personagem? / Como você imagina que o personagem se sentiu quando aconteceu aquela situação? / Você teria a mesma atitude de tal personagem? / Você gostou do final? Deixe a criança falar, sem censuras.

- Caso a criança durma no meio da história, procure, mesmo assim, contá-la até o final. Em geral, os pequenos pegam no sono no momento do conflito e, para evitar que eles tenham pesadelos e durmam com a imagem da bruxa ou do lobo, por exemplo, é necessário continuar a leitura, chegando ao final feliz, pois o inconsciente ainda está ligado mesmo quando a criança está sonolenta.

- Para contar histórias, o pai ou educador deve procurar conhecer bem a narrativa. Apropriar-se do enredo dará mais verdade ao texto. É importante contar a história com naturalidade a fim de que haja por parte da criança uma maior identificação com os personagens e os conflitos narrados, de forma que a criança possa relacioná-los com suas experiências, apontando para um caminho de soluções.

*Paula Furtada é autora do livro Terapia do Conto – Para Curar o Coração, da Editora Girassol

Animação abaixo conta a história de Nina, uma menina que não gostava de ler, mas que, ao se deparar com o rico universo da leitura, descobre uma nova realidade.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

O Velho que Nunca Amou

Quem conta um conto imagina Realidades!
Toda semana temos um encontro marcado onde você, pai ou mãe, vai se inspirar num conto para imaginar realidades, a partir dele, com seus filhos.

Além da "moral da estória", você vai acessar um tipo de meditação onde toda a familia poderá praticar o relaxamento, o despertar da imaginação e principalmente um momento de puro prazer familiar.

Senta que lá vem a história!


O Velho que nunca amou

Contam que o elevado e santo Bajezid Bistami encontrava-se falando a uma grande e atenta platéia. Todos os presentes, velhos ou jovens, estavam fascinados com suas palavras. No auge deste encantamento, quando seu discurso enlevava a todos, entrou um fumador de ópio, e com a fala algo arrastada disse:
- Mestre, meu burro se perdeu. Ajuda-me a encontrá-lo.
- Paciência, meu filho, eu vou achá-lo - disse-lhe Bajezid Bistami, continuando seu sermão.
Após algum tempo, enquanto ainda discursava, perguntou aos presentes:
- Existe alguém entre nós que nunca amou?
- Eu - disse um velho levantando-se - eu nunca amei ninguém, desde minha mais remota juventude. Nunca o fogo da paixão consumiu minha alma. Para que não turvasse minha mente, nunca deixei o amor ocupar meu coração.
O venerando Bajezid Bistami voltou-se então para o fumador de ópio que pouco antes o havia interrompido e lhe disse:
- Vê, meu filho, acabo de achar teu burro! Pega-o e leva-o daqui.
Extraído de:Türkische Märchen, Eugen Diederichs Verlag, Jena, 1925
Traduzido do Alemão por Sergio C. Bello

Moral da Estória:

O que nos distingue dos animais é a nossa capacidade de sentir e expressar o Amor numa rica variedade de tipos e formas e em tempos diferentes, numa expressão da nossa verdadeira natureza divina.

Visualização :
      
      Agora fiquem quietos, ouçam a musica abaixo, mantenham os olhos fechados olhando para o olho espiritual – o ponto entre as sobrancelhas. Sintam o amor no seu coração, esse sentimento especial dentro de vocês. Esse sentimento é o nosso presente invisível (silêncio 5 segs). Sintam este sentimento gostoso crescer, enchendo o peito, todo o nosso corpo (silêncio 5 segs). Sintam ele crescer tão grande que sai do corpo e enche toda a sala, uma nuvem rosa e azul de amor abraçando todos na sala (silêncio 5 segs) . Inspirem profundamente sentindo que junto com o ar que entra no seu corpo, todo o amor que você sente, que você é, também entra e sai com a respiração.
Nós temos muito amor a nossa volta para compartilhar.
Agora vamos compartilhar o amor com nossas famílias e amigos orando por eles. Vejam sua família e amigos, envolvidos pelo seu amor como por um grande abraço. Este amor que está envolvendo a todos  vai ajudar durante todo o dia, a termos conversas tranqüilas onde todos irão se respeitar, compreender, se aceitar,enfim, amar mais e melhor. 

sábado, 18 de dezembro de 2010

O Pássaro Azul e a Imperatriz da China

Toda semana temos um encontro marcado onde você, pai ou mãe, vai se inspirar num conto para imaginar realidades, a partir dele, com seus filhos.


Além da "moral da estória", você vai acessar um tipo de meditação onde toda a familia poderá praticar o relaxamento, o despertar da imaginação e principalmente um momento de puro prazer familiar.

Senta que lá vem a história!  
A imperatriz da China tinha tudo o que se pode imaginar: palácios de mármore e cobalto, com lagos de porcelana colorida, no meio de parques e jardins cheios de flores esquisitas e animais raros; tinha cofres a abarrotar de jóias de alto preço, e vestidos luxuosos e com a cauda tão comprida que a imperatriz já estava a sentar-se no trono da sala nobre do palácio onde vivia e ainda a cauda do vestido vinha à porta da rua, segura pelas mãos de muitos escravos, criados e aias, que eram às centenas para servir a imperatriz da China.

   A imperatriz da China tinha móveis e espelhos, cavalos e carruagens, barcos de passeio e leques de plumas tão grandes, que uma vez abertos a tapavam toda; tinha relógios de complicados mecanismos, que tocavam as horas por música, e caixas de música com mecanismos mais complicados do que relógios.

   Mas de tudo quanto possuía, o que a imperatriz da China mais adorava era um pássaro azul, cor do céu, com as asas esguias, do feitio de lanças, as penas da cauda recortadas e curvas, e o bico adunco, em forma de garra, e que tinha a particularidade de falar, o que não deve ser difícil na China, onde a conversa das pessoas é quase como o piar dos pássaros.

   O pássaro azul da imperatriz da China vivia numa gaiola dourada, no meio da sala principal do palácio, e havia uma dúzia de criados para tratar dele. E a imperatriz passava a vida a con­versar com o pássaro azul.

   — Trli-piu? — perguntava-lhe a imperatriz, o que em chinês quer dizer: "És feliz?"

   E o pássaro azul respondia-lhe:

   — Pió-pió-pió-piu! — que significa em chinês: "Estou triste, triste, triste!..."

   E a imperatriz pensou que o pássaro azul talvez se sentisse apertado dentro da gaiola dourada, ele, que tinha nascido numa das grandes florestas dos confins da China, que também pertenciam à imperatriz. Então, ordenou que viessem à sua presença engenheiros e arquitectos, carpinteiros e vidraceiros, jardineiros e canalizadores, e mandou construir imediatamente uma gaiola tão grande que parecia uma estufa, com lagos artificiais, fontes e relvas, e sobretudo muitos troncos de árvore, para o pássaro azul poder voar à vontade de uns para os outros, como se estivesse num pequeno bosque.

   Quando tudo estava pronto, mandou transportar o pássaro azul da gaiola dourada para aquela espécie de estufa, e entrou ela própria lá dentro para perguntar ao pássaro:

   — Trli-piu?

   Mas o pássaro azul pousou num ramo, deixou-se ficar uns momentos calado, e por fim respondeu:

   — Pió-pió-pió-piu!...

   E o último piu foi tão prolongado e triste que a imperatriz sentiu um peso no coração e uma grande vontade de chorar. Imediatamente, ordenou que viessem de novo à sua presença todos os engenheiros e arquitectos, carpinteiros e vidraceiros, jardineiros e canalizadores, e mandou construir uma enorme cúpula de vidro, armada sobre fortes varões de ferro, sobre o parque mais bonito que havia em redor do palácio, para soltar aí o pássaro azul.

   Quando tudo estava pronto, a própria imperatriz da China pegou no pássaro azul com todas as cautelas, e soltou-o no parque envidraçado. Viu-o voar, voar, voar, cada vez mais alto, até à cúpula de vidro, por onde entrava o sol a jorros, e depois descer quase a pino e desaparecer entre a folhagem. Meteu-se pelas alamedas, arrastando a cauda, e chamou pelo pássaro azul com palavras meigas, que em chinês são ainda mais meigas, mas o pássaro azul não lhe respondeu. Até que o encontrou metido no buraco do tronco de uma árvore, e nem foi preciso perguntar-lhe nada, porque o passarinho repetia, num trinado que nunca mais acabava:

   — Pió-pió-pió-piu! Pió-pió-pió, piiiu!... 

   Parecia que chorava. A imperatriz da China teve uma fúria e perguntou ao pássaro:

   — Que queres afinal?

   E o pássaro azul saiu do buraco do tronco da árvore, deu uma volta no ar, abriu as asas do feitio de lanças, sacudiu as penas da cauda recortadas e curvas, estendeu a cabeça para o alto, abrindo o bico em forma de garra, e trinou:

   — Chrriu-chilriu-chilriu! — o que em chinês significa: "Quero a liberdade!"

   A imperatriz da China ficou muito triste, mas depois de pensar um bocado mandou novamente chamar todos os seus engenheiros e arquitectos, carpinteiros e vidraceiros, jardineiros e canalizadores, e deu-lhes ordem para desfazerem o mais depressa possível a enorme cúpula de vidro, que cobria o parque.

   E quando tudo estava acabado, a imperatriz da China voltou devagarinho para o palácio, e subiu até à janela mais alta da torre mais alta. Olhou para as copas das árvores do parque e viu o pássaro azul, de asas bem abertas, brilhando à luz do Sol como esmalte, as penas da cauda pendidas, o bico aberto apontando para o céu, voar, voar, voar sem descanso, cada vez mais alto, na direcção do infinito, tão azul como ele. E cantava alegremente, com toda a força dos seus pulmões, para a imperatriz da China ouvir:

   — Trrriu-tchilriu-tiu-trliu-trliu-trliu! — o que em chinês quer dizer: "Sou feliz, feliz, feliz!"

   E, enxugando uma lágrima de saudade ao lenço de rendas caras, a imperatriz da China sentiu-se feliz também.

Ricardo Alberty
O príncipe de ouro e outras histórias
Lisboa, Editorial Verbo, 1989


Moral da estória
Quem ama cuida, quem ama mais se dedica, quem ama sem condições liberta!


Visualização
Sente-se confortavelmente. Feche os olhos ou acompanhe a projeção abaixo. Respire profundamente por três vezes e lembre-se de um encontro com alguém que lhe trouxe muita felicidade, amor e alegria. Imagine que para esta pessoa ser feliz é preciso que ela vá para uma terra distante. Ela hesita em ir porque você vai ficar muito triste, com saudades dela. Perceba o quanto ela ficará feliz nesta terra longínqua e permita que ela sinta esta felicidade partindo. Sabendo que o amor que os une é contínuo e duradouro, liberte-a com seu amor, sentindo que o seu amor a empurra em direção ao seu destino. E sentindo esse amor profundo, inspire e expire, se espreguiçando, acordando o corpo, abrindo os olhos ou até o fim da musica que acompanha a projeção,e volte para cá.


segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O Sultão que se transformou em Exilado


Quem conta um conto... imagina realidades!!


Toda semana temos um encontro marcado onde você, pai ou mãe, vai se inspirar num conto para imaginar realidades, a partir dele, com seus filhos.
Além da "moral da estória", você vai acessar um tipo de meditação onde toda a familia poderá praticar o relaxamento, o despertar da imaginação e principalmente um momento de puro prazer familiar.
Senta que lá vem a história!

O Sultão que se transformou em exilado 
Conta-se que um sultão egípcio convocou certa vez uma reunião de conselheiros eruditos, e logo, como costuma acontecer, iniciou-se uma discussão. O tema era a Travessia Noturna do Profeta Maomé. 

Diz-se que naquela ocasião o Profeta foi removido de seu leito para as esferas celestiais. Durante esse período pode ver o paraíso e o inferno, conferenciou com Deus noventa mil vezes, viveu muitas outras experiências, sendo trazido de volta a seu quarto quando a cama ainda estava morna. Uma moringa cheia d'água que fora derrubada e derramada por ocasião do vôo celestial ainda não se esvaziara quando o Profeta retornou.
Alguns sustentavam ser isso possível graças a uma maneira diferente de calcular o tempo. O sultão afirmava ser algo impossível.
Os sábios disseram então que tudo era possível para o poder divino.
Mas essa declaração não satisfez o rei.

As notícias sobre tal debate chegaram finalmente ao conhecimento do xeque sufi Shahabudin, que se apresentou imediatamente ante a corte.
O sultão demonstrou a devida humildade para com o mestre, que disse:

- Proponho proceder sem mais demora a minha demonstração, pois saibam que as duas interpretações do problema são incorretas, e que há elementos de verificação segura que podem explicar as tradições, sem necessidade de recorrer a especulações rotineiras.
Havia quatro janelas no salão de audiências. O sufi abriu uma delas, por onde então o sultão olhou para fora. Numa montanha ao longe ele viu um exército invasor, cujas fileiras pareciam intermináveis, marchando rumo ao castelo. Ficou terrivelmente assustado.
- Peço-lhe que esqueça o que viu, pois não é nada - disse o sufi.
Assim dizendo, fechou a janela e voltou a abri-la. Dessa vez não se via ninguém lá fora.
Mas quando abriu outra das janelas, a cidade estava sendo devorada pelas chamas. E o sultão gritou alarmado.
- Não há razão para alarma, sultão, pois não é nada - disse o sufi. Quando voltou a fechar e abrir em seguida a janela, não havia nenhum sinal de incêndio.
Ao ser aberta, a terceira janela deixou à vista uma torrente que já ameaçava inundar o palácio.
E, de novo, repetiu-se o fenômeno: a inundação não existia.

Quando a quarta janela foi aberta, em lugar do usual deserto, via-se agora um jardim paradisíaco. Mas ao ser novamente fechada e reaberta a janela, o belo cenário desaparecera.
Então o xeque sufi ordenou que trouxessem uma vasilha com água, e pediu ao sultão que mergulhasse sua cabeça nela por um momento. Tão logo fez o que lhe era solicitado, o sultão encontrou-se sozinho numa praia deserta, um lugar que desconhecia inteiramente.
Sentiu-se enfurecido de repente com aquele feitiço mágico do xeque e jurou vingar-se dele.
Logo ele encontrou uns lenhadores que lhe indagaram quem era. Impossibilitado de revelar sua verdadeira condição, lhes disse que era um náufrago. Então eles lhe deram algumas roupas, e se dirigiu a um povoado. Um ferreiro, vendo-o vagar ao acaso, perguntou-lhe quem era.
- Um mercador náufrago, agora sem recursos, dependendo da caridade de lenhadores - respondeu o sultão.
O ferreiro lhe contou então algo sobre um certo costume daquele lugar. Todos os forasteiros poderiam pedir em casamento a primeira mulher que saísse da casa de banhos, e ela teria que aceitar o pedido. Foi ao local indicado e viu sair dali uma bela moça. Perguntou-lhe se já era casada, e tendo obtido resposta afirmativa, perguntou à outra mulher, que era feia, e logo à seguinte. A quarta era realmente bela. Ela disse que era solteira, mas o recusou, desagradada por seu aspecto comum e sua roupa gasta.
Um pouco depois, um homem plantou-se diante dele, dizendo:
- Fui enviado aqui em busca de um homem andrajoso. Por favor, acompanhe-me.
O sultão acompanhou o servo e foi por este levado a uma casa magnífica, ficando a repousar durante horas num confortável e amplo quarto. Horas depois, quatro mulheres formosas e vestidas com elegância incomum entraram no aposento precedendo a uma quinta jovem de surpreendente beleza. Nela o sultão reconheceu a última mulher a quem fizera a proposta de casamento na saída da casa de banhos.
Ela lhe deu as boas-vindas e explicou que sua pressa em retornar à casa fora devida aos preparativos para a chegada do estranho. Esclareceu também que se comportara com arrogância horas antes por ser tal atitude um costume usual naquele país, praticado por todas as mulheres na rua.
Foi servida então uma refeição excelente. Maravilhosas roupagens foram trazidas e presenteadas ao sultão, enquanto uma música de acordes suaves era executada.
O sultão viveu sete anos com sua nova esposa, até dilapidarem todo o patrimônio pertencente a ela. Então a mulher lhe disse que agora ele devia sustentar a ela e a seus sete filhos.
Lembrando-se de seu primeiro amigo na cidade, o sultão voltou a procurar o ferreiro a fim de lhe pedir um conselho. Já que o sultão não tinha nenhum negócio ou ofício, o ferreiro lhe sugeriu ir ao mercado e oferecer seus serviços como entregador de encomendas.
Transportando pacotes pesadíssimos, após um dia de trabalho, o sultão só obteve uma décima parte do dinheiro necessário para a alimentação de sua família.
No dia seguinte, o sultão dirigiu-se novamente para a praia, onde encontrou o lugar exato do qual emergira havia sete anos. Disposto a rezar suas orações, começou a lavar-se na água. Foi quando, de modo súbito e patético, se achou de novo em seu palácio, com a vasilha de água, o xeque sufi e seus vassalos.
- Passei sete longos anos de desterro, homem perverso!- bradou o sultão.
Sete anos, uma família numerosa e tendo que trabalhar como carregador! Não teme a Deus, o Todo-Poderoso, por essa ação?

- Mas faz apenas um instante que o senhor mergulhou sua cabeça na água desta vasilha - retrucou o mestre sufi.
Todos os cortesãos confirmaram tal declaração.
O sultão não se deu por convencido, começando a dar ordens para a decapitação do xeque. Este, percebendo de saída o que ia ocorrer, graças a seu sexto sentido, pôs em prática o dom denominado Ilm el-Ghaibat, isto é, A Ciência da Ausência. Deslocou-se assim corporalmente e de maneira instantânea para Damasco, a muitos dias de distância dali.
Foi de lá que escreveu uma carta ao rei: "Sete anos passaram para vós, como já tereis percebido, enquanto permanecestes por um instante com a cabeça dentro d'água. Isto ocorre graças ao emprego de certas faculdades, e não possui nenhum significado especial exceto como ilustração do que pode vir a acontecer. Por acaso, segundo a tradição do feito de Maomé, o leito do Profeta não permaneceu morno, e a jarra com água?"
"O detalhe importante não consiste em que alguma coisa tenha acontecido ou não. Tudo é possível de acontecer.
O importante, na verdade, é o significado do acontecimento. Em vosso caso, não houve nenhum. Mas no do Profeta Maomé houve ricas significações."


Esta versão foi extraída do manuscrito intitulado Hu-Nama (Livro de Hu), da coleção de Nawab de Sardhana, datado de 1596. Extraído de 'Histórias dos Dervixes', Idries Shah, Nova Fronteira 1976

Reflexão 
Costuma ser dito que cada trecho do Alcorão possui sete significados, cada um aplicado ao estado de espírito do leitor ou do ouvinte. Esta história, como muitas outras do estilo sufi, enfatiza a frase de Maomé:
 "Fale com cada pessoa de acordo com o grau de seu entendimento."
Ou como define o método sufi: "Demonstre o desconhecido com palavras que os ouvintes chamam de 'conhecidas'."

  • Qual a moral da estória?
  • A estória fala sobre o tempo?
  • O que a estória fala sobre respeito?
  • O exemplos do mestre sufi foram claros para explicar seu ponto de vista? Quais os que você daria?

Atividade
Que tipo de coisas a gente compartilha, divide ? Como vocês se sentem quando compartilham algo? Geralmente, compartilhar nos faz sentir muito bem. Nós ficamos com um sentimento bom quando fazemos algo que faz alguém feliz. Nós podemos compartilhar muitas coisas – nossos brinquedos, bicicletas, lápis de cor. Podemos também compartilhar coisas invisíveis. Quem sabe o que significa invisível? É isso mesmo – significa que nós não podemos ver. Vocês imaginam algo invisível que podemos compartilhar? Sim, nós podemos compartilhar o amor, conhecimento, respeito. Amor é algo especial nos nossos corações, mas não podemos vê-lo, só senti-lo. E mesmo assim, podemos compartilhar nosso amor com outras pessoas e com Deus.
Hoje vamos meditar e compartilhar nosso amor com Deus.

Visualização :
      
      Agora fiquem tranqüilos, em silêncio, mantenham os olhos fechados olhando para o olho espiritual – o ponto entre as sobrancelhas. Sintam o amor no seu coração, esse sentimento especial dentro de vocês. Esse sentimento é o nosso presente invisível (silêncio 5 segs). Sintam este sentimento gostoso crescer, enchendo o peito, todo o nosso corpo (silêncio 5 segs). Sintam ele crescer tão grande que sai do corpo e enche toda a sala, uma nuvem rosa e azul de amor abraçando todos na sala (silêncio 5 segs) . Inspirem profundamente sentindo que junto com o ar que entra no seu corpo, todo o amor que você sente, que você é, também entra e sai com a respiração.
Nós temos muito amor a nossa volta para compartilhar.
Agora vamos compartilhar o amor com nossas famílias e amigos orando por eles, Vejam sua família e amigos, envolvidos pelo seu amor como por um grande abraço. Este amor que está envolvendo a todos  vai ajudar durante todo o dia, a termos conversas tranqüilas onde todos irão se respeitar, compreender, se aceitar,enfim, amar mais e melhor. 

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Quem conta um conto... imagina realidades!!


Toda semana temos um encontro marcado onde você, pai ou mãe, vai se inspirar num conto para imaginar realidades, a partir dele, com seus filhos.
Além da "moral da estória", você vai acessar um tipo de meditação onde toda a familia poderá praticar o relaxamento, o despertar da imaginação e principalmente um momento de puro prazer familiar.
Senta que lá vem a história!

O camundongo medroso

Um camundongo vivia angustiado com medo do gato. Um mágico teve pena dele e o transformou em gato. Mas aí ele ficou com medo de cão, por isso o mágico o transformou em pantera. Então ele começou a temer os caçadores. A essa altura o mágico desistiu. Transformou-o em camundongo novamente e disse:
 - Nada que eu faça por você vai ajudá-lo, porque você tem apenas a coragem de um camundongo.

Moral da História:

É preciso coragem para romper com o projeto que nos é imposto. Mas saiba que coragem não é a ausência do medo, é sim a capacidade de avançar, apesar do medo; caminhar para frente e enfrentar as adversidades, vencendo os medos...
É isto que devemos fazer. Não podemos nos derrotar, nos entregar por causa dos medos. Assim, jamais chegaremos aos lugares que tanto almejamos em nossas vidas...

A Coragem de Enfrentar seus Medos

Um elétron para dar um
salto quântico, ou seja, para mudar de órbita, precisa absorver energia. Passará então, para um estado vibracional mais alto. Conosco acontece a mesma coisa, para evoluirmos em nossa vida, precisamos absorver energia para vibrar mais alto e usufruir de todas as experiências, aproveitando-as plenamente. O medo é um bloqueador da energia, ele é paralisante e nos mantém num estado de total imobilidade. Avançar e evoluir, exige coragem!

Visualização:
Sentado, feche os olhos, respire 3 vezes lentamente e durante a execução da musica abaixo.... Veja, sinta, perceba ou imagine que uma cortina se abre à sua frente e você avista um caminho. Este caminho está nublado.
Imagine que em sua mão direita você tem um aspirador que retira esta neblina e que o caminho está clareado.
Comece a andar por este caminho e encontre um grande buraco.
Este buraco representa seus medos e apegos.
Encha este buraco de pedras e cimento até que você possa passar.
Deixando os medos e o vazio para trás, continue a viagem e aviste o rio.
Agora, do outro lado do rio aviste seu Ser Espiritual perfeito.
Crie uma ponte e atravesse seu rio.
Caia nos braços seguros de seu Ser Interior.
Respire e abra os olhos

segunda-feira, 18 de outubro de 2010




Toda semana temos um encontro marcado onde você, pai ou mãe, vai se inspirar num conto para imaginar realidades, a partir dele, com seus filhos.
Além da "moral da estória", você vai acessar um tipo de meditação onde toda a familia poderá praticar o relaxamento, o despertar da imaginação e principalmente um momento de puro prazer familiar.
Senta que lá vem a história!

A Lenda das Areias
Vindo desde as suas origens em distantes montanhas, após passar por inúmeros acidentes de terreno nas regiões campestres, um rio finalmente alcançou as areias do deserto. E do mesmo modo como vencera as outras barreiras, o rio tentou atravessar esta de agora, mas se deu conta de que suas águas mal tocavam a areia nela desapareciam.
Estava convicto, no entanto, de que fazia parte de seu destino cruzar aquele deserto, embora não visse como fazê-lo. Então uma voz misteriosa, saída do próprio deserto arenoso, sussurrou:
- O vento cruza o deserto, o mesmo pode fazer o rio.
O rio objetou estar se arremessando contra as areias, sendo assim absorvido, enquanto o vento podia voar, conseguindo dessa maneira atravessar o deserto.
- Arrojando-se com violência como vem fazendo não conseguirá cruzá-lo. Assim desaparecerá ou se transformará num pântano. Deve permitir que o vento o conduza a seu destino.
- Mas como isso pode acontecer?
- Consentindo em ser absorvido pelo vento.
Tal sugestão não era aceitável para o rio. Afinal de contas, ele nunca fora absorvido até então. Não desejava perder a sua individualidade. Uma vez a tendo perdido, como se poderá saber se a recuperaria mais tarde?
- O vento desempenha essa função - disseram as areias. - eleva a água, a conduz sobre o deserto e depois a deixa cair. Caindo em forma de chuva, a água novamente se converte num rio.
- Como posso saber que isto é verdade?
- Pois assim é, e se não acredita, não se tornará outra coisa senão um pântano, e ainda isto levaria muitos e muitos anos; e um pântano não é certamente a mesma coisa que um rio.
- Mas não posso continuar sendo o mesmo rio que sou agora?
- Você não pode, em caso algum, permanecer assim - retrucou a voz.
- Sua parte essencial é transportada e forma um rio novamente. Você é chamado assim ainda hoje por não saber qual a sua parte essencial.
Ao ouvir tais palavras, certos ecos começaram a ressoar nos pensamentos mais profundos do rio. Recordou vagamente um estágio em que ele, ou uma parte dele, não sabia qual, fora transportada nos braços do vento. Também se lembrou, ou lhe pareceu assim, de que era isso o que devia fazer, conquanto não fosse a coisa mais natural.
E o rio elevou então seus vapores nos acolhedores braços do vento, que suave e facilmente o conduziu para o alto, e para bem longe, deixando-o cair suavemente tão logo tinham alcançado o topo de uma montanha, milhas e milhas mais distante. E porque tivera suas dúvidas, o rio pode recordar e gravar com mais firmeza em sua mente os detalhes daquela sua experiência. E ponderou:
- Sim, agora conheço a minha verdadeira identidade.
O rio estava fazendo seu aprendizado, mas as areias sussurraram:
- Nós temos o conhecimento porque vemos essa operação ocorrer dia após dia, e porque nós, as areias, nos estendemos por todo o caminho que vai desde as margens do rio até a montanha.
E é por isso que se diz que o caminho pelo qual o Rio da Vida tem de seguir em sua travessia está escrito nas Areias.
 Do livro "O Buscador da Verdade" de Idries Shah
O que é o tempo?
Essa é uma pergunta difícil de responder, não é?
Pense em como o Homem começou a contar o tempo, se utilizando principalmente, da alternância entre os dias e as noites.
Você já deve ter visto alguns filmes em que o personagem se vê isolado em algum lugar deserto, longe de qualquer aparelho que possa indicar a contagem do tempo. Como ele, normalmente, procede? Faz marcas em algum lugar, de acordo com a passagem dos dias.
E se por acaso, houvesse algum acidente natural, e nosso personagem ficasse preso na caverna , sem acesso à luz do Sol? Provavelmente, ficaria perdido sem saber como medir os dias ou as horas.
O que fica claro na nossa cabeça , é que o conceito de “tempo” foi criado por nós e quando os parâmetros usados para medi-lo, se alteram, perdemos a noção de sua contagem.
Pense sobre o assunto!
Quem tem noção de tempo?
Você já reparou que as crianças pequenas, têm dificuldade de se localizar no tempo? É muito comum, ouvir o irmão pequeno dizer frases do tipo: "Amanhã eu fui na sua casa".
 Ou então, perguntar para a mãe: "Quantas vezes eu tenho que dormir para fazer aniversário?".
 Esse tipo de comportamento nos indica bem claramente, que o tempo não é uma noção que já nasça com o ser humano mas sim, aprendida ao longo da infância.
Você sabia que...
Um dos primeiros instrumentos de medida de tempo foi a ampulheta, criada no século VIII.
Também chamada de relógio de areia, constituia-se de dois cones de vidro,unidos pelo gargalo. Em um dos cones era colocada a areia que escoava para o outro durante um certo tempo.
As ampulhetas de 1 dia, continham areia suficiente para escoar durante 24 horas.
Como se media essa quantidade? Fácil! Ao meio dia, quando o Sol estava a pino, ou seja, não fazia sombra nenhuma, colocava-se areia e deixava-se escoar até o dia seguinte, quando o Sol voltasse a ficar a pino. O excedente era retirado e estava pronto o nosso relógio de areia. Pelo mesmo processo, eram feitas as ampulhetas de 1 hora e de ½ hora, muito utilizadas também, sempre usando como referência a sombra produzida pelo Sol.

Visualização
Sente num ambiente calmo e tranqüilo. Os pés devem estar firmes no chão, as mãos colocadas sobre as pernas e os olhos fechados do começo ao fim. Respire profundamente várias vezes até conseguir um estado de tranqüilidade e depois leve sua atenção para a musica do clipe abaixo.
Deixe que as notas penetrem seu corpo e perceba por onde elas dançam em você levando-o para uma viagem, num tempo antigo, numa paisagem há muito não visitada ou totalmente desconhecida. Ao terminar a musica volte para o aqui e agora respirando profundamente, acordando o corpo e compartilhe essa experiência com seu companheiro de meditação, desfrutando mais um momento de intimidade.


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